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Caminho do Leite

 

O leite é um alimento importante desde a faze da infância até a vida adulta das pessoas. Segundo dados de 2013 do Ministério da Agricultura cada brasileiro consome cerda de 172 litros de leite por ano, mas até chegar ao consumidor, ele percorre um longo caminho. Confira na reportagem.

FONTE: TV Univates

Indústria aposta em programas que dão bônus ao produtor para melhorar qualidade do leite

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Com 80 vacas da raça holandesa em lactação, a Granja Lenhard tem o controle exato de quantos litros cada animal produz por dia e a temperatura do leite em cada ordenha.

Com todo o rebanho identificado com chips, a propriedade localizada no interior de Estrela, no Vale do Taquari, usa apenas resfriadores a granel para conservação do produto, faz testes de brucelose e tuberculose e coleta amostras regularmente para contagem bacteriana e de células somáticas.

Para cada item, recebe alguns centavos a mais no preço de venda que, no final do mês, transformam-se em milhares de reais.

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Neste ano, ao obter a certificação de boas práticas na propriedade, a granja conseguiu receber a bonificação máxima oferecida pela cooperativa Languiru aos associados que alcançam padrões de excelência em qualidade.

— Hoje, 20% do preço recebido pelo produtor pode vir de bonificações referentes à qualidade do leite — destaca Dirceu Bayer, presidente da Languiru, com sede em Teutônia.

A remuneração da produção por qualidade, e não apenas pelo volume entregue, passou a ter maior importância nas indústrias do Rio Grande do Sul depois da sequência de fraudes descobertas para maquiar más condições do produto — o caso mais recente veio à tona há duas semanas, na oitava etapa da Operação Leite Compen$ado.

Além de adotar bonificações, que vão da contagem bacteriana (saiba mais abaixo) aos níveis de gordura e proteína no leite, a Languiru iniciou neste ano um programa de boas práticas atestado por auditoria externa. Por enquanto, apenas 14 dos 2,8 mil produtores associados estão enquadrados no projeto.

Até o fim do ano, a meta é chegar a 40 propriedades certificadas.

A Granja Lenhard passou a ganhar R$ 0,02 a mais no preço do litro após receber a certificação.

Somados os extras relacionados à qualidade do produto — por ter, por exemplo, resfriador a granel e fazer análise laboratorial bacteriana do produto —, a propriedade acumula R$ 0,14 a mais por litro do que o preço de mercado.

A produtividade média de cada animal chega a 29,5 litros de leite.

— Parece pouco falar em centavos, mas a diferença é grande quando calculada em escala — explica o produtor Roberto de Oliveira, 34 anos, que administra a propriedade ao lado do sogro Pedro Lenhard, 64 anos, e da mulher Eliana Lenhard de Oliveira, 34 anos.

 

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Tendência de mercado

 

Para se adequar ao programa, explica Oliveira, os investimentos foram mais em organização do que em estrutura.

— Antes, tínhamos ferramentas de um lado e do outro. Não havia lugares definidos para vacinas, remédios, ração e agrotóxicos — exemplifica.

Programa semelhante de boas práticas na fazenda foi introduzido no país em 2010 nos municípios de Carazinho e Palmeira das Missões, em iniciativa conjunta da Nestlé e da Fonterra — maior cooperativa de leite da Nova Zelândia. Na região, são mais de 300 produtores certificados.

A valorização da produção pela qualidade do leite entregue à indústria é uma tendência que deve ficar cada vez mais perceptível no mercado, segundo o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat).

— Estamos trabalhando em uma tabela de qualidade que sirva de referência para todas as indústrias. Hoje, cada empresa tem sua forma de bonificação — explica o presidente da entidade, Alexandre Guerra, acrescentando que este é o caminho para dar segurança ao consumidor e, ainda, conquistar mercados externos.

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Boa parte do bônus oferecido aos produtores pelas indústrias atende a adequações da Instrução Normativa 62, conjunto de normas publicadas pelo governo federal em 2011 com o objetivo de qualificar a produção, incluindo o transporte.

Desde o começo do ano, a Cooperativa dos Suinocultores de Encantado (Cosuel) deixou de receber leite de produtores sem resfriadores a granel (tanque que resfria e mantém a temperatura), uma das exigências da normativa.

— Quando se fala em qualidade do leite, dois fatores são cruciais: higiene e controle de temperatura. Fizemos uma seleção dos nossos fornecedores.

Com tudo o que o setor de produção de leite passou, o caminho é buscar a excelência, com padrões rigorosos de qualidade — explica Carlos Alberto de Figueiredo Freitas, presidente-executivo da Dália Alimentos, marca da Cosuel.

De acordo com dados do Censo do Leite (veja abaixo), pesquisa coordenada pelo Instituto Gaúcho de Leite (IGL), sete em cada 10 produtores têm resfriador com placa de expansão direta de frio. O restante ainda usa o sistema de tarros para armazenar o leite.

Para estimular o associado a investir no resfriador, a Cosuel passou a remunerar os mais de 2,3 mil produtores com R$ 0,05 a mais pelo litro do leite.

A partir de julho, mais R$ 0,03 serão pagos pela produção que passar por análise laboratorial de células somáticas e de contagem bacteriana.

Os produtores que não se adequarem terão o mesmo valor descontado do preço médio do produto.

— É uma forma de forçar o produtor a trabalhar com padrão de qualidade superior, adequando-se à instrução normativa vigente.

O consumidor, assim como a indústria, também precisa entender que um leite de qualidade pode custar uns centavos a mais na prateleira.

A escolha não deve ser apenas por preço, mas por qualidade — destaca Gilberto  Piccinini, presidente do Instituto Gaúcho do Leite (IGL).

Uma das cooperativas pioneiras em implantar o sistema de bonificação por qualidade nas indústrias de leite no Rio Grande do Sul, ainda no começo dos anos 2000, a Santa Clara passou a testar medidores de vazão em caminhões que transportam o leite cru das propriedades até a planta industrial.

Com um custo variando de R$ 75 mil a R$ 150 mil, o equipamento acoplado no veículo armazena o volume carregado e mantém a temperatura do leite, além de fazer coleta automática de amostra destinada para o laboratório.

 

Bonificação aliada à maior rastreabilidade

 

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Diferencial medido em laboratório

O resultado de dois testes é usado como parâmetro para a indústria pagar mais

Contagem bacteriana: é o número total de bactérias presentes em 1 ml de leite.
A contagem no leite cru avalia a qualidade microbiológica do leite. O resultado indica os cuidados de higiene ao obter e manusear o produto. Altas contagens indicam falhas na limpeza dos equipamentos, na higiene da ordenha ou problemas na refrigeração do leite.

Células somáticas: são células de defesa do organismo (99% glóbulos brancos e 1% células do tecido secretor do leite), com a função de combater infecções e ajudar na reparação da glândula mamária. Altas contagens de células somáticas indicam que a vaca está passando por infecção ou sofreu lesão na glândula mamária.

 

fonte: Zero Hora

 

Curso Embrapa para promover qualidade do leite

 

O curso tem o objetivo de capacitar e atualizar técnicos de assistência e extensão rural e é desenvolvido numa plataforma livre de ensino, com recursos dinâmicos e fóruns de discussão. Além disso, o aluno é convidado a interagir em outra plataforma: a Rede de Pesquisa e Inovação em Leite (RepiLeite), rede social temática da Embrapa.

Produção: Embrapa Informação Tecnológica e Embrapa Gado de Leite
Responsável pelo conteúdo técnico: Myriam Maia Nobre – Pesquisadora
Produção e Roteiro: Carolina Rodrigues Pereira – Jornalista
Cinegrafista: José Alves Tristão
Editor de imagem: Sérgio Figueiredo
Editor de arte: Joniel Sergio
Contatos: (32) 3311 7548
http://www.embrapa.br/gado-de-leite
gado-de-leite.imprensa@embrapa.br

 

Leite pode fazer mal à saúde, aponta estudo

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Uma menina com um bigode branco sorri para a câmera, segurando um copo de leite.

Esse é um tema publicitário bastante popular, assim como o radiante líquido branco se misturando como mágica com cereais. Imagens como essas são vistas diariamente nos comerciais, associadas à noção de que consumir leite é sinônimo de uma alimentação saudável.

No entanto, uma pesquisa recém-publicada, realizada na Suécia, lança dúvidas sobre os benefícios do leite – também em seu estado puro, e não apenas como um complemento de cereais matinais adocicados.

Num período de vinte anos, pesquisadores da Universidade de Uppsala observaram 61 mil mulheres e 45 mil homens, durante onze anos de suas vidas, para analisar a conexão entre consumo do leite, mortalidade e fraturas ósseas.

O resultado: o índice de mortalidade observado entre os indivíduos que tomaram três copos de leite ou mais por dia ficou acima da média.

Já o número de fraturas ósseas aumentou nas mulheres com alto consumo da bebida, mas não nos homens.

Eckhard Heuser, da Associação da Indústria de Laticínios da Alemanha, critica o método utilizado pelos pesquisadores suecos. Ele afirma que análises baseadas em observações não são precisas e que as conclusões dos pesquisadores de Uppsala são equivocadas.

Até mesmo Karl Michaëlsson, um dos autores do estudo, alerta contra conclusões precipitadas. “Não podemos dizer que esses contextos são exclusivamente causados pelo consumo de leite. O leite é apenas uma peça do quebra-cabeça.”

Possível culpado

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Entretanto, os pesquisadores já identificaram um possível culpado: a chamada D-galactose, um açúcar presente sobretudo no leite de vaca. Camundongos e ratos que receberam aplicações da substância envelheceram com mais rapidez e morreram mais cedo.

A quantidade administrada nas cobaias correspondia a dois copos de leite.

Quanto aos laticínios, como queijo e iogurte, o estudo afirma que não há perigo. “Comparado ao leite de vaca regular, os produtos fermentados têm quantidades significativamente menores de D-galactose”, afirma Michaëlsson.

Heuser, no entanto, duvida da aplicabilidade dos testes realizados em animais aos seres humanos.

“É óbvio que um animal morre mais cedo quando recebe uma quantidade excessiva de açúcar.” As pessoas que consomem três copos de leite por dia não correriam esse risco, embora essa quantidade não seja considerada normal para adultos, diz.

“Se as alegações sobre a D-galactose procedem, então, as mulheres não devem mais amamentar”, aponta Heuser, uma vez que a quantidade dessa substância no leite materno é superior à encontrada no leite de vaca.

Perguntas sem resposta

Os próprios pesquisadores suecos admitem que é preciso pesquisar mais.

Os estudos baseiam-se apenas nas informações fornecidas pelos participantes, e pode haver fatores de interferência, como hábitos alimentares, consumo de bebidas alcoólicas, prática de esportes e fumo.

Além disso, os voluntários observados eram de diferentes faixas etárias.

“Não podemos recomendar o consumo de leite com base apenas nesse estudo, precisamos analisar cuidadosamente os resultados. Nossa pesquisa deixa claro que precisamos de estudos ainda mais extensos sobre o tema”, afirma Michaëlsson.

Entretanto, para a indústria de laticínios, o estudo pode ter consequências graves, aponta Heuser. “Levará anos para conseguirmos superar essa má impressão”, diz. Ao mesmo tempo, algo de positivo também deve ficar. “A sociedade se interessa bastante pela alimentação. É bom que se discuta sobre o leite”, pondera.

 

fonte: DW

em: http://www.dw.de/leite-pode-fazer-mal-%C3%A0-sa%C3%BAde-aponta-estudo/a-18039170?maca=bra-uol-all-1387-xml-uol