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Mais de 50% dos salgados recolhidos em pastelarias do Rio estão contaminados

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RIO — Os primeiros resultados dos laudos sobre salgados recolhidos em pastelarias do Rio, denunciadas por irregularidades numa série de reportagens do GLOBO, inclusive trabalho escravo e uso de carne de cães como recheio, revelam que os estabelecimentos vistoriados têm péssimas práticas de higiene.

Mais de 50% das amostras recolhidas — ao todo foram 103 produtos usados nas análises — estavam contaminadas.

Entre as bactérias detectadas, os exames chamaram a atenção para a presença de grande quantidade de Escherichia coli, indicativa de contaminação por fezes humanas.

Os laudos da Vigilância Sanitária municipal, ligada à Secretaria municipal de Saúde, foram obtidos com exclusividade pelo jornal. De acordo com a secretaria, as análises preliminares são tão preocupantes que vão demandar outras ações de fiscalização nesses estabelecimentos.

Durante as vistorias, já foram encontrados sinais de péssimas condições de higiene, com animais circulando entre alimentos em preparação, cozinhas sujas e lixo mal-acondicionado.

As análises estão sendo feitas no Laboratório Municipal de Controle de Produtos.

De acordo com Eliane Maria Cardozo Miranda, coordenadora da unidade, a presença de coliformes fecais mostra que os funcionários das lanchonetes estão manipulando os alimentos com as suas mãos contaminadas.

— É um dado alarmante para toda a sociedade.

Dentro do quadro de mais de 50% das amostas contaminadas, 12 laudos apontaram coliformes fecais provenientes da flora intestinal humana. Ingerindo alimentos contaminados pela Escherichia coli, as pessoas têm diarreia, náuseas e dores abdominais. É um retrato claro da falta de higiene dos comerciantes — diz ela, que trabalha há 35 anos na área.

 

FRITURA TAMBÉM DEFICIENTE

A informação chamou a atenção do coordenador da Câmara Técnica de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Cremerj, Celso Ferreira Ramos Filho. O infectologista, que é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), faz um alerta.

— Isso pode significar que os alimentos não estão sendo fritos de forma correta. Quando um alimento processado é cozido a 70 graus por dois minutos, as bactérias encontradas nos recheios são destruídas. É um resultado surpreendente e alarmante — afirma.

Outro resultado que chocou os técnicos foi a presença de uma bactéria — Staphilococcus aureus — típica de ferimentos com secreções e pus. De acordo com o superintendente da Vigilância Sanitária, Luiz Carlos Coutinho, esse micro-organismo é transmitido aos alimentos quando o cozinheiro os manipula com infecções nos olhos, no nariz, na boca ou na pele (em pontos como as mãos e os pulsos).

Ao ingerir essa bactéria, o consumidor pode sofrer intoxicação alimentar.

Uma outra bactéria perigosa encontrada nos recheios reprovados foi a Bacillus cereus.

É um tipo de micro-organismo que também causa intoxicação alimentar, com náuseas e vômitos.

De acordo com a coordenadora do laboratório, a bactéria aparece em alimentos manipulados de forma inadequada e mantidos sob refrigeração insuficiente.

— Isso é muito comum também quando os salgados já estão expostos há horas na vitrine — diz ela.

— O resultado dessas análises preliminares aponta um quadro grave no comércio alimentício carioca, além de demonstrar que o trabalho de fiscalização precisa ser diário e contínuo.

A pessoa que se propõe a trabalhar com alimentos precisa saber que essas contaminações levam a diversos problemas de saúde.

Esses comerciantes precisam passar por um treinamento antes de manipular alimentos.

Algumas pastelarias interditadas tinham vasos sanitários, mas não tinham pias para os funcionários lavarem as mãos.

A consequência disso está explícita no resultado das análises.

De acordo com a Vigilância Sanitária, que ainda aguarda o resultado dos exames em outras amostras recolhidas, a operação especial de fiscalização das pastelarias começou no dia 16 de abril e terminou neste domingo.

Do total inspecionado, 15 estabelecimentos foram totalmente fechados.

Outros 17 foram interditados por falta de higiene, tendo que se regularizar de acordo com determinações da Vigilância. Além disso, 36 foram intimados a fazer obras de melhorias estruturais.

Dos 63 estabelecimentos cujas amostras já têm o resultado laboratorial, 51 receberam da Vigilância Sanitária autos de infração por conservação inadequada de alimentos, venda de produtos impróprios para o consumo, deficiência na sua manipulação e falta de higiene.

No total, foi descartada meia tonelada de alimentos — entre frango, carne de vaca, bacalhau, presunto e queijo, além de molhos.

Luiz Carlos Coutinho garantiu que as inspeções vão continuar.

Ele pediu à população que colabore, denunciando as lanchonetes com problemas.

— Estaremos atentos às denúncias de consumidores que presenciarem alterações nos alimentos e condições inadequadas da higiene nos estabelecimentos. A Vigilância Sanitária orienta o cidadão a fazer a denúncia à central de teleatendimento 1746, para que equipes possam ir ao local verificar a situação e, caso sejam constatados problemas, aplicar as sanções previstas em lei, que vão de multas à interdição total do estabelecimento — disse Coutinho.

A origem da carne usada nos recheios dos salgados vendidos nas lanchonetes é uma das maiores preocupações do consumidor.

Entretanto, a Vigilância Sanitária informou que, para se ter essa informação com segurança, análises laboratoriais não são suficientes: o processo exigiria técnicas complexas, como o exame de amostras de DNA.

 

BOM HUMOR CONTRA A DESCONFIANÇA

Para driblar a desconfiança dos consumidores, já há quem recorra à criatividade.

É o caso de Iguassi Moraes, dono de uma pastelaria na Avenida Venezuela, na Zona Portuária. Quem passa em frente à sua lanchonete escuta latidos de cachorros.

São dos bichos de estimação do comerciante, que gravou os animais em casa.

Ao ser atraído pelo barulho, o pedestre logo vê um enorme aviso, desenhado na entrada: ali diz que o local só usa carne bovina em seus recheios e que cachorros devem ser amados e protegidos.

Iguassi e o aviso em sua pastelaria: clientela cresceu depois de pintura garantir que salgado não leva carne de cachorro 

 

— Isso é uma satisfação para o público. É uma forma de dizer que não somos maus comerciantes, como aqueles que estão prejudicando o trabalho de pessoas corretas.

Depois dessa brincadeira, já percebo um aumento na minha clientela — conta Iguassi, informando que também contratou um novo pasteleiro para melhorar o cardápio.

LAVAR AS MÃOS, UM DAS PRINCIPAIS MEDIDAS

De acordo com Lílian Assis, nutricionista da UFRJ, para evitar o quadro de contaminação encontrado pela Vigilância Sanitária nas pastelarias do Rio, é preciso que os comerciantes e cozinheiros tomem uma série de medidas — algumas, na verdade, bem simples, como lavar as mãos regularmente, antes, durante e após a preparação dos alimentos e o manuseio de objetos que estejam sujos.

— Em alguns estabelecimentos, foram encontrados animais. É preciso haver uma higienização criteriosa sempre que o comerciante tiver contato com animais e, principalmente, depois de utilizar o banheiro. Outra dica é evitar o contato entre alimentos crus e cozidos — diz.

A nutricionista também recomenda outros cuidados:

— A produção de alimentos sem contaminação depende de medidas técnicas que devem ser implementadas em toda a cadeia produtiva, inclusive no transporte e na estocagem.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mais-de-50-dos-salgados-recolhidos-em-pastelarias-do-rio-estao-contaminados-16187514#ixzz3bdOnMajW
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Falta de cuidado com o preparo dos alimentos pode matar até 2 milhões de pessoas por ano

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Detalhes que, muitas vezes, passam despercebidos na nossa própria cozinha podem ser foco de contaminação. “Um fio de cabelo em uma refeição tem infinitos micro-organismos”, alerta Tarsila Carvalho Gomide, coordenadora de segurança alimentar do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de Minas Gerais (Senac-MG).

A correta manipulação dos alimentos e alguns hábitos de higiene reduzem consideravelmente o risco de contaminação e, segundo a especialista no assunto, seriam suficientes para reduzir o número de doenças de origem alimentar.

A OMS enumerou cinco regras para ajudar nessa tarefa: lavar bem os alimentos; conservá-los em temperaturas seguras, manter alimentos crus e cozidos separados, cozinhá-los bem e usar água potável e matérias-primas seguras.

Para lavar frutas, legumes e hortaliças, Tarsila ensina que não devemos usar detergente sob o risco de contaminar quimicamente o alimento. “A forma correta é lavar com água corrente, deixar de molho na água sanitária (na proporção de 1 colher para 1 litro) por cerca de 15 minutos e enxaguar. É importante verificar na embalagem da água sanitária se o produto pode ser utilizado para esse tipo de higienização”, alerta.

Sobre conservação, Tarsila destaca que os alimentos não devem ficar fora da geladeira por mais de 1h30 para evitar a multiplicação de bactérias. Eles devem ser colocados na geladeira semiabertos antes de esfriarem completamente.

Alimentos crus podem contaminar alimentos cozidos. “É preciso ter cuidado com o que chamamos de contaminação cruzada. Em um churrasco, por exemplo, tábuas e facas que manipulam alimentos crus devem ser separados ou lavados com água e sabão antes de serem usados nos cozidos”, afirma Tarsila.

A bucha de cozinha também é um ninho de proliferação de micro-organismos. O que muita gente não sabe é que ela deve ser trocada com muita frequência. “O ideal é fazer a troca uma vez por semana e guardá-la sempre seca”, disse.

VILÕES. Os dados divulgados pela OMS revelam que os agentes responsáveis pela maioria das mortes por contaminação alimentar são a bactéria salmonela (52 mil mortes), a bactéria E. coli (37 mil mortes) e o norovírus (35 mil mortes).

Além do cuidado com a manipulação dos alimentos, também é fundamental para a saúde escolher bem o que comer. Uma dieta balanceada é recomendada para uma vida saudável e livre de doenças.

O Guia Alimentar do Ministério da Saúde enumera algumas orientações práticas para a população. A primeira delas é fazer pelo menos três refeições diárias e dois lanches, reduzindo o consumo frequente de grande quantidade de sal, gordura, açúcar, doce, refrigerante, salgadinho, biscoito recheado e outros alimentos industrializados.

Outra recomendação é comer diariamente feijão com arroz, três porções de legumes, verduras e frutas, bem como três porções de leite e derivados. Carnes de aves, peixes e ovos devem ser consumidos em apenas uma porção, e as gorduras aparentes devem ser retiradas.

Muita gente não se lembra de beber água, mas tomar pelo menos dois litros por dia deve se tornar um hábito. A água desempenha papel-chave no funcionamento do organismo humano, facilitando o metabolismo celular, protegendo o cérebro e lubrificando as articulações do corpo.

O Ministério da Saúde também recomenda a prática de 30 minutos de exercícios físicos por dia.

fonte: O Tempo

Pesquisadora transforma óleos de frutas brasileiras em matérias-primas

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Por conterem uma série de substâncias benéficas ao organismo humano, muitos frutos da Amazônia são utilizados não só na alimentação, mas também nas áreas médica e cosmética.

Buscando ressaltar ainda mais os efeitos positivos desses produtos, uma pesquisadora brasileira vem se dedicando a criar, a partir de óleos dos vegetais, fórmulas capazes de combater diferentes micro-organismos nocivos ao homem.

Para a especialista, essas receitas podem se tornar matéria-prima para diversos produtos na indústria brasileira.

 

A estratégia adotada por Paula Speranza, pesquisadora de pós-doutorado em engenharia de alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), começa com a união das propriedades de diferentes frutos.

“Usamos dois óleos, que, ao se fundirem, criam uma mistura que possui mais qualidade, um produto melhor em propriedades fisioquímicas”, explica a especialista.

Para sua tese, Speranza realizou duas misturas: óleo de buriti com gordura de murumuru, e óleo de patauá com estearina de palma.

Os líquidos que foram fornecidos pela Universidade Federal do Pará (UFPA) ainda tiveram propriedades e características físicas modificadas com enzimas produzidas pela pesquisadora, por meio de um processo chamado de interesterificação enzimática.

“O mais difícil desse processo é criar enzimas que consigam fazer essa modificação. Essa técnica já é antiga, mas as enzimas são novas e não é fácil criá-las de forma que atuem na fermentação (dos compostos)”, esclarece.

Esses componentes são fundamentais para iniciar as reações químicas que levam à modificação biotecnológica dos óleos, ampliando as propriedades antimicrobianas. “

Nós utilizamos a mistura dos óleos em emulsões e conseguimos observar um efeito bactericida contra diversos patógenos, como Bacillus cereus (bactéria que vive no solo) e Escherichia coli (bactéria que habita o intestino), algo que não conseguimos com os óleos não modificados”, destaca a autora.

 

fonte: Correio Braziliense

em: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2014/12/27/interna_ciencia_saude,463660/pesquisadora-transforma-oleos-de-frutas-brasileiras-em-materias-primas.shtml

Bactéria E. coli provoca a morte de duas crianças nos Estados Unidos

e-coliA bactéria Escherichia coli provocou a morte de duas crianças no noroeste dos Estados Unidos. Uma terceira criança da mesma região está em estado grave.

Pesquisadores dizem que ainda não é possível descobrir a origem específica das cepas fatais que atingiram os pacientes.

A bactéria pode provocar febre, diarreia, infecção urinária, entre outros problemas de saúde.

O médico Paul Cieslak, diretor da seção de doenças transmissíveis da Autoridade de Saúde de Oregon, disse, nesta quinta-feira (11), que eles precisam de pelo menos o dobro de casos para conseguir identificar a fonte, que pode estar na comida, na água do lago ou no contato com animais.

Parentes contam que a garota de 4 anos Serena Profitt, da cidade de Otis, no estado de Oregon, e o garoto de 5 anos Brad Sutton ficaram doentes depois de uma reunião de família no condado de Lincoln, no litoral de Oregon. Serena foi declarada morta nesta segunda-feira em um hospital de Portland. Brad está em estado grave no Hospital Infantil Mary Bridge em Tacoma, no estado de Washington.

O médico Greg Stern, agente de saúde do condado de Whatcom, no estado de Whashington, disse que esses casos não estão relacionados com o caso da menina Brooklyn Hoksbergen, da cidade de Lyden, no noroeste do estado de Washington. Ela também foi infectada pela bactéria e morreu há uma semana em um hospital de Seattle.

Stern e Cieslak dizem que as famílias das vítimas foram entrevistadas e uma grande variedade de potenciais fontes da E. coli foram identificadas, mas nenhuma fonte específica foi determinada. A bactéria pode ficar encubada por 10 dias no organismo da vítima antes de provocar sintomas, o que faz com que uma grande variedade de fontes seja considerada. A identificação só é possível quando se comparam as fontes comuns entre vários pacientes.

De acordo com os médicos, todas as três crianças foram infectadas com uma cepa possívelmente fatal de E. coli.

Os especialistas ainda aguardam testes de DNA da bactéria, que permitirá comparar a cepa com a base de dados dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC). Se as três cepas forem as mesmas, ou se combinarem com outras cepas na base de dados, isso poderá ajudar a rastrear a fonte da contaminação.

Crianças pequenas e idosos estão em maior risco de morrer pela bactéria E. coli. O médico Cieslak diz que o estado de Oregon teve 21 casos fatais de E. coli desde 1992, dos quais 7 foram crianças de menos de 5 anos e 10 foram de idosos com mais de 70 anos.

fonte: G1

em: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/09/bacteria-e-coli-provoca-morte-de-duas-criancas-nos-estados-unidos.html