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Consumo de bebidas açucaradas pode causar 180 000 mortes por ano

Cola pouring into a glass

Bebidas com adição de açúcar, como refrigerantes, sucos industrializados, energéticos, isotônicos e chás gelados podem ser responsáveis pela morte de 184 000 adultos anualmente ao redor do mundo.

Diante disso, os especialistas alertam para a necessidade de reduzir drasticamente e até mesmo eliminar estas bebidas da dieta. É o que diz um estudo publicado na última edição da revista científica Circulation.

As estimativas foram feitas a partir de 62 pesquisas alimentares, realizadas com 611 971 indivíduos entre 1980 e 2010, em 51 países, e associadas a dados sobre a disponibilidade nacional de açúcar.

Além disso, foram consideradas também outras informações provenientes de pesquisas já publicadas sobre os danos para a saúde causados por bebidas açucaradas.

Os pesquisadores então calcularam o impacto direto da ingestão de bebidas desse tipo no surgimento de doenças como diabetes, obesidade, problemas cardiovasculares e câncer.

De acordo com o estudo, a maioria das mortes – 133 000 – foi causada por diabetes.

Outras 45 000 por doenças cardíacas e 6 450 por câncer. Segundo os resultados, todas as doenças estão relacionadas ao alto consumo de bebidas adoçadas com açúcar.

“Entre os 20 países com a maior estimativa de mortes, pelo menos oito estavam na América Latina e no Caribe, refletindo as altas ingestões nessas regiões”, explicou Gitanjali Singh, principal autor do estudo e professor da Escola Friedman de Nutrição e Ciências Políticas da Universidade Tufts, nos Estados Unidos

De acordo com os pesquisadores, o México teve a maior taxa de mortalidade atribuível à bebidas adoçadas com açúcar: 30% das mortes entre pessoas com menos de 45 anos.

Por outro lado, no Japão, onde chás sem açúcar estão entre as bebidas mais populares, as mortes por bebidas açucaradas foram desprezíveis.

Em relação à faixa etária, o percentual de doenças crônicas atribuída ao consumo de bebidas açucaradas foi maior em jovens do que em adultos.

Para os pesquisadores, esse resultado traz uma grande preocupação.

“Se, à medida que envelhecem, os jovens continuarem a consumir níveis elevados destas bebidas, os efeitos do alto consumo serão agravados pelo envelhecimento, levando a taxas mais altas de mortalidade e de invalidez por doenças cardíacas e diabetes”, disse Singh.

fonte: Veja

em: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/consumo-de-bebidas-acucaradas-pode-causar-180-000-mortes-por-ano/

 

OMS quer reduzir consumo de alimentos ricos em açúcares ocultos

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) quer limitar o consumo de açúcares ocultos nos produtos alimentícios, como o ketchup e as bebidas açucaradas gaseificadas, responsáveis por inúmeros problemas de saúde, entre eles obesidade, excesso de peso e cáries.

De acordo com novas diretrizes da OMS publicadas nesta quarta-feira, os açúcares não deveriam ultrapassar 10% da ração energética diária da população e, preferencialmente, não superar 5% – tanto no caso de adultos quanto de jovens e crianças.

Dez por cento equivale a 50 gramas de açúcar, o que cabe em 12 colheres de café.

“Uma redução abaixo de 5%, isso é, 25 gramas de açúcar por dia, ou seis colheradas de café, teria vantagens adicionais para a saúde”, explicou o doutor Francesco Branca, diretor do Departamento de Nutrição para Saúde e Desenvolvimento na OMS.

“Com um máximo de 5%, um estudo afirma que há zero cáries”, acrescentou.

“Temos provas sérias de que limitar o consumo diário de açúcar abaixo dos 10% reduz o risco de excesso de peso, obesidade e cáries”, afirmou o doutor Branca, após um estudo lançado há um ano, no qual foram analisados mais de 170 comentários de especialistas.

“Se a pessoa ingere uma tigela de cereais pela manhã, uma lata de bebida açucarada e um iogurte açucarado já superou o limite”, explicou Branca, em uma coletiva de imprensa em Genebra.

Para o professor Tom Sanders, especialista em Nutrição no King’s College de Londres, “o objetivo de 10% é fácil de ser alcançado, se as bebidas açucaradas forem evitadas”.

No entanto, os 5% necessários para evitar as cáries é muito mais difícil de alcançar, alega, “porque isso significa que não se deve comer nenhum bolo, ou biscoitos, ou beber qualquer bebida açucarada”.

As consequências dessa batalha da OMS são de grande importância.

Segundo este estudo publicado em janeiro, algumas doenças não transmissíveis, como diabetes, câncer, ou doenças cardíacas, provocam todos os anos 16 milhões de mortes prematuras no mundo. Algumas dessas doenças são resultado de hábitos ruins, como o abuso de álcool, cigarro, ou má alimentação – aquela muito rica em gorduras, ou açúcar.

Preocupação

A OMS lembrou também lembrou que grande parte dos açúcares que consumimos está oculta em alimentos que não são considerados doces.

“Um estudo aponta que, nos Estados Unidos, 80% dos alimentos vendidos nos supermercados contêm açúcares ocultos”, alertou o doutor Branca.

Alguns países já reagiram ao excesso de açúcar, como o Equador, que obriga a indústria a colocar um logotipo colorido sobre os produtos alimentícios em função da quantidade de gordura ou de açúcar que contêm.

A OMS defendeu ainda uma redução das campanhas publicitárias destinadas às crianças para produtos como barras de chocolate, ou bebidas açucaradas.

Além disso, a organização recomenda que os países-membros “iniciem um diálogo com as indústrias agro-alimentícias para que reduzam os açúcares ocultos na composição de seus produtos”.

O consumo de açúcares ocultos varia muito de país para país.

A América Latina é a região, onde mais se consome, com 131 gramas diários por pessoa. A África fica no outro extremo, com 30 gramas diários por pessoa.

Em alguns Estados europeus, como Hungria e Noruega, situa-se entre 7% e 8% da ração energética diária. Em outros, como Espanha e Reino Unido, chega a 16%-17%.

Entre 2003 e 2013, o consumo médio global diário e por pessoa aumentou 10%, chegando a 63 gramas, advertiu a OMS, citando dados da Organização Internacional do Açúcar (OIA).

 

fonte: Correio Braziliense

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2015/03/04/interna_ciencia_saude,474034/oms-quer-reduzir-consumo-de-alimentos-ricos-em-acucares-ocultos.shtml

Conheça os efeitos do açúcar no seu cérebro

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Nós sabemos que o açúcar em excesso é ruim para a nossa boa forma e a saúde do coração, mas agora há evidências de que consumir altos níveis de açúcar pode ter também um efeito negativo sobre a saúde do cérebro – que vai da função cognitiva até a sensação de bem-estar psicológico.

Embora consumir açúcar, em pequenas quantidades, não seja motivo de preocupação, a maioria de nós simplesmente faz o oposto. As coisas doces – também conhecidas pelos nomes de glicose, frutose, mel e xarope de milho – são encontradas em 74 por cento dos alimentos embalados nos supermercados. Mesmo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde de que apenas 5 por cento da ingestão calórica diária seja proveniente do açúcar, a dieta americana típica é composta por 13 por cento de calorias provenientes do açúcar.

“Muitos americanos comem cerca de cinco vezes mais açúcar do que deveriam consumir”, disse ao The Washington Post, Natasa Janicic-Kahric, professora associada de medicina no Hospital da Universidade de Georgetown .
É fácil notar a nossa atração pelo açúcar. No entanto, devemos estar cientes dos riscos que uma dieta rica em açúcar representam para o funcionamento do cérebro e o bem-estar mental.

Listamos aqui os estragos que o consumo excessivo de açúcar podem causar no seu cérebro.

Criar um ciclo vicioso de desejos intensos.

Quando uma pessoa consome açúcar, assim como qualquer alimento, ele ativa os receptores gustativos da língua. Logo, os sinais são enviados para o cérebro, ativando as vias da recompensa e causando a liberação de uma onda de hormônios de bem-estar, como a dopamina. O açúcar “sequestra a via da recompensa do cérebro”, explicou o neurocientista Jordan Gaines Lewis. Embora o estímulo ocasional desse sistema de recompensa no cérebro com um pedaço de chocolate possa ser prazeroso e, provavelmente, inofensivo, quando o sistema de recompensa é ativado demais e com muita frequência, começamos a ter problemas.

“A ativação em excesso deste sistema de recompensa dá início a uma série de eventos desagradáveis: perda de controle, desejos e uma maior tolerância ao açúcar”, explicou a neurocientista Nicole Avena em um vídeo da TED-Ed.

De fato, a pesquisa mostrou que o cérebro de crianças obesas realmente é ativado de forma diferente quando eles sentem o gosto de açúcar, o que reflete em uma elevada resposta de “recompensa alimentar”. Isso sugere que os circuitos do cérebro podem predispor essas crianças a uma vida de desejos intensos de açúcar.

Prejudicar a memória e as habilidades de aprendizagem.

Um estudo de 2012 com ratos, realizado por pesquisadores da UCLA, descobriu que uma dieta rica em frutose (uma outra palavra para açúcar) dificulta a aprendizagem e a memória, ao retardar literalmente o cérebro. Os pesquisadores descobriram que os ratos que consumiram muita frutose tinham danificado as atividades sinápticas no cérebro, ou seja, a comunicação entre as células cerebrais foi prejudicada.

A pesada ingestão de açúcar fez com que os ratos desenvolvessem uma resistência à insulina – um hormônio que controla os níveis de açúcar no sangue e também regula a função das células cerebrais. A insulina fortalece as conexões sinápticas entre as células do cérebro, ajudando-as a se comunicarem melhor e, assim, formarem memórias mais fortes. Assim, quando os níveis de insulina no cérebro são reduzidos devido ao excesso de consumo de açúcar, a cognição pode ser prejudicada.

“A insulina é importante no corpo por controlar o açúcar no sangue, mas pode desempenhar um papel diferente no cérebro”, disse o Dr. Fernando Gomez-Pinilla, o principal autor do estudo, em um comunicado. “Nosso estudo mostra que uma dieta rica em frutose prejudica tanto o cérebro como o corpo. Isso é algo novo.”

Poder causar ou contribuir para a depressão e a ansiedade.

Se você já experimentou uma espécie de fadiga causada pelo sugar crash, (ou “choque de insulina”), então você sabe que picos e quedas repentinos no nível de açúcar no sangue podem ser a causa de sintomas como irritabilidade, alterações de humor, confusão mental e cansaço. Isto ocorre pois comer um donut cheio de açúcar ou beber um refrigerante provoca um aumento no nível de açúcar no sangue e, logo depois, uma queda repentina. Quando o açúcar no sangue, inevitavelmente cai outra vez (daí o “choque”), você pode se sentir ansioso, temperamental ou deprimido.

Alimentos ricos em açúcar e recheados de carboidratos também podem mexer com os neurotransmissores que ajudam a manter o nosso humor estável. Consumir açúcar estimula a liberação da serotonina, neurotransmissor que impulsiona o nosso humor. A ativação excessiva constante dessa via com a serotonina pode esgotar nossos suprimentos limitados do neurotransmissores, que podem contribuir para sintomas de depressão, de acordo com o Dr. Datis Kharrazian, especialista em medicina funcional e autor de Why Isn’t My Brain Working? (“Por que o meu cérebro não funciona?, em tradução livre)

Cronicamente os níveis de açúcar no sangue também têm sido associados a inflamação no cérebro. E, como algumas pesquisas sugerem, a neuroinflamação pode ser uma possível causa da depressão.

Os adolescentes podem ser mais vulneráveis aos efeitos do açúcar sobre o humor. Um estudo recente em ratos adolescentes, conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Emory, encontrou que uma dieta rica em açúcar contribui para a depressão e comportamentos parecidos à ansiedade.

A pesquisa também descobriu que as pessoas que têm uma dieta típica americana, rica em alimentos processados – que normalmente contém quantidades elevadas de gordura saturada, açúcar e sal – têm maior risco de desenvolver depressão, em comparação com aqueles que seguem uma dieta com alimentos integrais, com menos açúcar.

É um fator de risco para o declínio cognitivo e demência relacionados à idade.

Um crescente número de pesquisas sugere que uma dieta com muito açúcar poderia aumentar o risco de desenvolver a doença de Alzheimer. Um estudo de 2013 descobriu que a resistência à insulina e níveis de glicose no sangue – símbolos da diabetes – estão ligados a um maior risco de desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer. A pesquisa “oferece mais evidências de que o cérebro é um órgão-alvo para os danos de açúcar elevado no sangue”, disse o endocrinologista Dr. Medha Munshi ao New York Times.

De fato, alguns pesquisadores têm chamado o Alzheimer de “Diabetes Tipo 3” – o que sugere que a dieta pode ter algum papel no risco de desenvolver a doença.

Produtores de açúcar do Brasil atacam OMS

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Os produtores de cana-de-açúcar do Brasil, os maiores fornecedores do alimento no mundo, atacaram a decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) de propor a governos uma redução dramática no consumo de açúcar de adultos e crianças. Para o setor, as recomendações da agência de Saúde da ONU “desviam a atenção” e “não refletem as evidências científicas disponíveis”, além de gerar um impacto econômico negativo.

Na quarta-feira, 4, a OMS revelou o resultado de mais de um ano de trabalho e que culminou com a recomendação de que, para uma melhor saúde entre a população, o açúcar não deve representar mais de 10% da energia consumida por uma pessoa por dia. No caso da América do Sul, isso representaria uma redução de 60% no consumo.

Para promover essa redução, a OMS sugere que governos elevem impostos para bens como refrigerantes e alimentos processados, além de proibir a publicidade para crianças. Outra sugestão é de que os alimentos tragam etiquetas para deixar claro a quantidade de açúcar em cada um deles.

O governo brasileiro indicou que vai esperar até a reunião da OMS de meados do ano para tomar uma “posição política” sobre o assunto. O Brasil é hoje o maior exportador de açúcar do mundo.

Mas, nesta quinta-feira, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) deixou claro que não está de acordo com a posição da OMS e admite o impacto econômico da proposta. “Recomendações desta natureza não só podem impactar negativamente em um dos setores mais relevantes do ponto de vista socioeconômico para o País, como também na liberdade de escolha e necessidades individuais da população”, atacou a entidade em um comunicado.

“A UNICA acredita que esta recomendação da OMS desvia o foco de atenção da sociedade no que diz respeito à promoção de hábitos saudáveis como um todo”, insistiu, apontando para a necessidade de um “estilo de vida equilibrado” e que “envolve uma dieta saudável, prática de exercícios físicos, sono adequado, uma série de hábitos em conjunto e não tem uma relação exclusiva com a eliminação do açúcar ou de determinado ingrediente da alimentação”.

O setor também ataca a proposta de novos impostos. “Taxar alimentos e bebidas não contribui para a luta contra a obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis”, declarou.CientíficoPara a UNICA, a posição da OMS não responde às pesquisas realizadas nos últimos anos.

“O consumo de açúcar isoladamente não pode ser apontado como causa da obesidade, diabetes ou outras doenças graves”, insistiu a entidade.Outro argumento é de que o consumo de açúcar “não causa um pico glicêmico no sangue” e apontam que “o diabetes é causado por uma combinação de fatores genéticos e hábitos de vida”.

A UNICA também contesta o resultado da OMS de que a queda no consumo de açúcar levaria a uma redução de cáries.

“Nos dias atuais, o risco de cárie dentária é quase inexistente com a adoção de higiene oral adequada e com o uso de flúor em cremes dentais e na água”, argumentou.Até mesmo a relação entre a obesidade e o açúcar é questionado pela UNICA.

“Os açúcares, individualmente, não provocam o aumento de peso”, disse. “Não há provas consistentes de que açúcares afetam a obesidade mais do que qualquer outro macronutriente”, alegou. “O aumento da obesidade é causado não só pelo acréscimo no consumo calórico, mas também pela redução da atividade física”, completou.

fonte: Estadao

http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,produtores-de-acucar-do-brasil-atacam-oms,1645184