Startup cria tecnologia que pode impedir a fraude de alimentos

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Escândalos como a venda de leite com soda cáustica no Brasil e a venda de carne de cavalo como se fosse bovina na Europa poderão ser evitadas nos próximos anos. Será possível analisar e atestar o conteúdo dos produtos por meio de testes de DNA, antes que eles cheguem às gôndolas dos supermercados e à mesa do consumidor. Embora a tecnologia seja conhecida no Exterior, serviços de teste de DNA para a indústria alimentícia ainda estão engatinhando no Brasil.

 

Uma das pioneiras no desenvolvimento dessa tecnologia é a empresa mineira Myleus Biotecnologia, de Belo Horizonte. Segundo a bióloga Mariana Bertelli, diretora de novos negócios, o teste de DNA desenvolvido pela empresa é capaz de avaliar a composição até mesmo de alimentos já cozidos. “O nosso público-alvo é bastante extenso”, diz Mariana. “Podemos atender o produtor rural, que quer mostrar para o comprador que o produto é idôneo, até a indústria processadora, varejo, restaurantes e órgãos de fiscalização.”

O teste custa, em média, R$ 500, mas esse valor varia em função da complexidade da técnica utilizada. “Todos os nossos insumos são importados e isso impacta muito no valor”, explica. Para a realização do teste, basta o cliente enviar uma amostra do produto, com tamanho equivalente ao de uma moeda de um real, e um formulário de solicitação. Na sequência, são realizados os processos de extração, amplificação e sequenciamento de DNA. “Com base na sequência de DNA encontrada, fazemos a identificação utilizando um banco de dados robusto e em seguida emitimos o laudo”, diz. Normalmente, os resultados ficam prontos entre uma e duas semanas.

 

Questionada sobre o custo da tecnologia, a diretora afirma que o procedimento é economicamente viável para a indústria. “Isso serve para se proteger de comprar gato por lebre, quando o prejuízo poderia ser bem maior”, diz.

 

Bom para o consumidor

Os testes de DNA promovem a segurança alimentar para o consumidor, por garantir a veracidade das informações sobre o conteúdo dos produtos. De olho nisso, a Myleus desenvolveu o selo “Está no DNA”, para que os materiais analisados recebam um selo de qualidade. A iniciativa agrega valor aos produtos, mas ainda gera polêmica. Segundo a diretora, as fabricantes dizem que os clientes ainda não valorizam esse tipo de iniciativa. “Os clientes acabam escolhendo os produtos pelo preço e deixam de levar em conta outras características”, diz Mariana.

 

Para Luis Madi, diretor geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), certificar a integridade dos produtos faz parte de um processo evolutivo. Ele acredita que a nova geração de consumidores, pessoas com idade entre 18 e 34 anos, vai valorizar a tecnologia. “O consumidor está cada vez mais interessado em saber de onde vem o produto, a qualidade e o conteúdo”, diz.

 

Como tudo começou

A Myleus Biotecnologia surgiu a partir de Daniel Carvalho, estudante de doutorado em Zootecnia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que convidou outros biólogos para aprimorar a técnica. Em 2010, o órgão de fiscalização ambiental de Minas Gerais apreendeu um carregamento de peixes com suspeita de pesca ilegal por ser período de defeso da espécie. Porém, o responsável pelo transporte do produto alegou que a região na qual os peixes foram capturados estava liberada para a prática. Essa foi a primeira vez que a Myleus foi acionada para realizar o teste de DNA. O serviço atestou que a espécie foi capturada em época de defeso e houve autuação por crime ambiental.

 

Atualmente, a tecnologia desenvolvida pela Myleus permite analisar pescados, produtos lácteos e alimentos de origem vegetal. Segundo Mariana, desse grupo, os peixes são os alimentos mais envolvidos em casos de fraude. O teste de DNA para produtos cárneos já está pronto, porém, a empresa aguarda o processo de patenteamento, que é compartilhado com a UFMG. A previsão é de que esse serviço seja oferecido até o fim deste ano.

 

A principal diferença entre a identificação em pescados e em produtos cárneos está relacionada às práticas do mercado. No primeiro caso, a tecnologia precisa distinguir a troca de espécies, enquanto no segundo é necessário identificar misturas não declaradas.

 

Para sair do ambiente acadêmico e se tornar uma tecnologia comercialmente viável, a empresa recebeu apoio de um fundo de investimento da universidade mineira e hoje funciona com oito funcionários, a maioria biólogos. Para continuar crescendo, o desafio da Myleus é conscientizar indústria e consumidor. Segundo Bertelli, é necessário fazer com que as pessoas entendam o objetivo da empresa. “A gente não está entrando no mercado para causar problemas e, sim, para trazer uma solução”, diz.

 

Um projeto que oferece serviço semelhante foi desenvolvido pela startup Fine Instrument Technology (FIT) em São Carlos (SP). Eles usaram a tecnologia de ressonância magnética para criar um equipamento portátil que analisa alimentos. De acordo com a empresa, é possível destrinchar a composição e a qualidade de produtos como frutas, grãos, azeites, leites e carnes em cerca de 30 segundos.

em: http://sfagro.uol.com.br/pt_technologies/tecnologia-impede-a-fraude-de-alimentos/

 

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Publicado em 8 de janeiro de 2016, em Food Safety. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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