Antibióticos em frangos podem gerar bactérias resistentes, constata PROTESTE

antibióticos na carne alimentos

Quadro é preocupante, podendo fazer com que no futuro, não consigamos mais combater infecções
O uso indiscriminado de antibióticos na produção animal tem contribuído para gerar bactérias resistentes.

Uma das maneiras de essas superbactérias entrarem em nosso organismo é pelo consumo de carnes mal cozidas.

Para verificar a situação na carne de frango, a PROTESTE Associação de Consumidores comprou 50 peitos de frango congelados em supermercados e hipermercados da cidade de São Paulo, em fevereiro, e em todas as amostras havia bactérias resistentes.

No laboratório, foi constatada a prevalência de bactérias resistentes a antibióticos betalactâmicos e produtores de ESBL (ß-lactamases de espectro estendido), enzimas que conferem resistência a um dos grupos de antibióticos mais utilizados na prática clínica humana e veterinária: os betalactâmicos.

Estes incluem as penicilinas, seus derivados sintéticos e semissintéticos e as cefalosporinas, como a cefotaxima e a ceftazidima, entre outros.

Após o isolamento das bactérias produtoras de ESBL, determinamos o grau de resistência aos antibióticos.

Essas bactérias podem causar infecções urinárias, gastrenterites e outros problemas graves, sobretudo em pessoas mais sensíveis, como idosos, pacientes imunodeprimidos ou que usem dispositivos médicos invasivos, como cateteres ou sondas.

A maioria das bactérias morre a 70ºC. Então, é fundamental cozinhar bem os alimentos.

Se reaproveitar as sobras, aqueça bem antes de servir.

Além disso, manipule alimentos crus e cozidos em separado: lave as mãos com frequência e só corte carne crua na mesma tábua que folhosos após lavá-la bem (não use a mesma faca para ambos – só depois de lavar).

Outra dica: higienize bem frutas e legumes.

E essencial: tome antibióticos apenas quando o médico receitar, seguindo à risca as instruções de uso.

Diante da preocupante situação encontrada, a PROTESTE está cobrando dos Ministérios da Agricultura e Saúde mais fiscalização sobre a prescrição e aplicação dos antibióticos para controle de doenças nos animais.

Foi pedida a instalação de sistemas de monitoramento nacional e internacional para reduzir o impacto das resistências aos antibióticos.

Ao Ministério da Saúde, foi sugerida a promoção de campanhas de sensibilização para o bom uso de antibióticos.

Os resultados também foram enviados à recém-criada Comissão de Vigilância Sanitária em Resistência Microbiana da Anvisa, que visa elaborar normas e ações para o monitoramento, controle e prevenção da resistência microbiana.

O uso veterinário de antibióticos é legal.

No entanto, como a taxa de infecções humanas por bactérias resistentes aos antibióticos aumenta, questionamos a prática de dar rotineiramente antibióticos para frangos, bovinos e suínos.

Cientistas e especialistas em saúde pública dizem que, sempre que um antibiótico é administrado, ele mata as bactérias mais fracas e pode permitir que as mais fortes sobrevivam e se multipliquem.

O risco é que as superbactérias possam desenvolver resistência cruzada a importantes antibióticos.

O uso frequente de antibióticos em baixa dosagem, uma prática utilizada por alguns produtores de carne, pode intensificar o efeito.

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Publicado em 7 de junho de 2015, em Food Safety e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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