É praticamente impossível sair do mercado sem comprar produtos envenenados

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Nesta quarta(8), o Instituto Nacional do Câncer (INCA), divulgou um documento técnico pedindo a redução de agrotóxicos no País.

Não é por menos.

Hoje, o Brasil ostenta o tenebroso troféu de maior consumidor de defensivo agrícola do mundo.

Em 2009, cada brasileiro consumiu, em média, 5,2 kg de agrotóxico.

Sim, o número está correto: se fôssemos dividir todo o agrotóxico que usamos pela população brasileira, cada um teria consumido UM GALÃO DE CINCO LITROS de agrotóxico em um ano.

Os dados são de uma pesquisa da Anvisa publicada em 2015.

De acordo com o INCA, o grande puxador do uso de defensivos agrícolas no Brasil são os transgênicos, cujo cultivo demanda uma quantidade grande de veneno.

Onipresente

Existem dois tipos de intoxicação por agrotóxico.

A primeira delas é a aguda, que afeta quem tem contato direto com o veneno: o trabalhador agrícola. De acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), pelo menos 70 mil trabalhadores morrem por ano de intoxicação aguda por agrotóxico nos países em desenvolvimento.

A segunda é a intoxicação crônica. É um envenenamento lento e constante, que afeta quem ingere os agrotóxicos.

Infertilidade, impotência, abortos, malformações, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e câncer são alguns dos males associados à ingestão crônica de agrotóxicos.

Como explica o INCA, é praticamente impossível encontrar um produto livre de veneno no supermercado. Não adianta apenas evitar tomates e pimentões, campeões de contaminação. E lavar os alimentos só tira uma parte do veneno, diz aAnvisa.

Quaisquer comidas que contenham trigo, milho ou soja, têm agrotóxicos. Isso inclui salgadinhos, bolachas, pães, pratos prontos, massas e cereais matinais, ração canina, molhos…

Nem os produtos de origem animal escapam. Laticínios, peixes e carnes também traços de agrotóxicos porque a ração que alimenta os animais é venenosa.

Sucesso mortal

Um dos exemplos mais claros de contaminação por agrotóxicos é a cidade de Lucas do Rio Verde (MT). O município é apontado como grande exemplo de desenvolvimento devido à sua exitosa vocação para o agronegócio.

De acordo com uma pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), ali são despejados em média 136 litros de defensivo agrícola por habitante.

Após analisarem amostras de leite materno de mais de sessenta mães da cidade, os pesquisadores encontraram agrotóxicos em TODAS. Descobriram que substâncias proibidas na União Europeia e nos Estados Unidos, como o Endosulfan, a Deltametrina e o DDE, faziam parte do cardápio diário dos bebês da cidade.

Não por acaso, em 2007, a cidade sofreu um surto de intoxicação aguda em crianças e idosos da cidade.

Na mesma pesquisa, os cientistas apontam que, em um período de dez anos, os casos de câncer na cidade saltaram de 3 para 40 a cada 10 mil habitantes. Os problemas de malformação de bebês saltaram de 5 para 20 a cada mil nascidos.

Como fugir?

O INCA propõe incentivo à produção orgânica para diminuir o potencial cancerígeno dos alimentos.

“Em substituição ao modelo dominante, o INCA apoia a produção de base agroecológica em acordo com a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Este modelo otimiza a integração entre capacidade produtiva, uso e conservação da biodiversidade e dos demais recursos naturais essenciais à vida. Além de ser uma alternativa para a produção de alimentos livres de agrotóxicos, tem como base o equilíbrio ecológico, a eficiência econômica e a justiça social, fortalecendo agricultores e protegendo o meio ambiente e a sociedade”.

A maior controvérsia em relação aos orgânicos hoje é a de que esse tipo de cultivo não seria capaz de alimentar o mundo.

Hoje, há uma quantidade crescente de estudos a respeito de orgânicos e segurança alimentar apontam que o modelo de agricultura sustentável pode ser uma solução para a fome, mas estamos longe de encontrar um consenso — até porque há muitos interesses envolvidos na questão.

Outro ponto negativo nos alimentos orgânicos é o preço, geralmente mais alto. Especialmente em tempos de inflação alta, comprar orgânicos no supermercado pode pesar no bolso.

Uma boa alternativa é visitar feiras de alimentos orgânicos. O Mapa de Feiras Orgânicas mostra que, só na região sudeste, há mais de 259 locais onde você pode comprar alimentos direto do produtor, com valores mais justos e garantia de origem.

fonte: http://www.brasilpost.com.br/2015/04/08/agrotoxicos-maleficios_n_7029204.html

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Publicado em 8 de abril de 2015, em Agrotóxicos e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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