A verdade sobre os prazos de validade dos alimentos

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Aberta a porta do frigorífico, lança-se um olhar desconfiado à tampa do iogurte, à caixa dos ovos ou ao fiambre embalado. Já passaram alguns dias desde o fim do prazo de validade. Comer ou não comer, eis a indecisão.

Resposta possível: arriscar e “seja o que Deus quiser”. Mas uma coisa é certa: o produtor só se responsabiliza por uma eventual intoxicação alimentar até ao dia marcado no rótulo da embalagem. Dessa data em diante, a responsabilidade é nossa. E é grande.

Ao deitar fora comida, também contribuímos para o aumento do desperdício alimentar.

Os números da FAO, organismo da ONU para a Agricultura e a Alimentação, convidam à reflexão: 1,3 mil milhões de toneladas de comida no mundo vão, a cada ano, para o lixo. As condições inadequadas de armazenamento e transporte, a adoção de prazos de validade curtos e as promoções encorajadoras de compras em excesso são os principais motivos de desperdício.

Solução, procura-se

Para a Deco, prolongar os prazos de validade não reduz, por si só, as perdas alimentares.

“É preciso gerir as compras, ser um consumidor pró-ativo”, diz Dulce Ricardo, daquela associação. “Deve-se estar atento às promoções, mas sem excessos, porque, depois, poupamos por um lado, para desperdiçarmos por outro.” A opinião é partilhada pela ASAE: “Os retalhistas precisam de fazer a gestão adequada dos alimentos em stock. E mesmo o consumidor tem de fazer compras inteligentes”, avisa Graça Mariano, diretora do Departamento dos Riscos Alimentares e Laboratórios.

Para que as compras inteligentes funcionem, é necessário saber distinguir entre data de durabilidade mínima (“consumir de preferência antes de…”, ou “consumir de preferência antes do fim de…”) e data limite de consumo (“consumir até…”). A data de durabilidade mínima é aplicada ao arroz e às massas, às leguminosas secas, às conservas e enlatados, às bolachas e cereais, ao chocolate, ao azeite e ao óleo, entre outros produtos que não se degradam de forma rápida.

Ultrapassado o prazo de validade destes alimentos, e mesmo existindo algumas alterações de sabor e textura, poderão ainda ser consumidos com relativa segurança. As bolachas ou os cereais, por exemplo, perdem a sua principal característica, a textura crocante, pelo que dificilmente o consumidor os quererá comer.

Já a data limite em alimentos muito perecíveis, como queijo fresco, iogurtes, ovos, carne picada, salsichas frescas ou carne de aves deve ser respeitada. Também o cheiro da sopa azeda ainda antes de a ferver ou a cor acastanhada de um bife de vaca não deixam dúvidas de que não se deve comer. Mas não nos podemos fiar na análise dos alimentos à vista desarmada. “Tudo depende do nível de contaminação e da bactéria”, explica Matilde Figueiredo, da Saport, uma spin off da Universidade Católica.

O aspeto e o cheiro não dizem tudo

Quando, em abril de 2010, Sally Davies comprou um hambúrguer e batatas fritas, no McDonald’s, estava longe de imaginar que, 1 095 dias depois, os alimentos estivessem impecáveis, sem vestígios evidentes de decomposição.

Diariamente, ao longo de três anos, a artista nova-iorquina vegetariana fotografou o hambúrguer e as batatas fritas só nas imagens recentes o pão dá sinais de estar ressequido. O Happy Meal Project provou que “um alimento contaminado pode ter um aspeto perfeitamente normal”, alerta Dulce Ricardo, da Deco. “Qualquer carne fora do frio degrada-se, mas as bactérias mais patogénicas podem não dar sinais evidentes “, explica Graça Mariano, da ASAE.

Outro caso insólito, também nos EUA, foi notícia, em 2013. David Whipple, do Utah, comprou um hambúrguer em julho de 1999 e esqueceu-se dele, embrulhado no papel, dentro do bolso de um casaco. Encontrou-o dois anos depois sem sinais de bolor ou de deterioração. Continuou a observação da carne picada e já lá vão 14 anos. No programa de TV The Doctors, mostrou-se como, apesar de rijo, o hambúrguer não tem bolor ou fungos. Justificando-se, a McDonald’s disse que a carne perde água, em forma de vapor, durante a confeção. E se o produto for deixado num local pouco húmido, ainda perde mais água, secando em vez de apodrecer.

Lição: o aspeto e o cheiro não devem substituir os prazos de validade.

Frigorífico

Evitar transmissão de odores e bactérias, protegendo os alimentos com película aderente ou em caixas herméticas

* Legumes e fruta devem ser guardados nas gavetas

* A carne e o peixe frescos podem estar dois dias no frigorífico. Após esse tempo, se não os usar, deve congelá-los

Leite

Um pacote “inchado”, antes de o abrir, é mau sinal: o desenvolvimento de microrganismos pode provocar a formação de gás e um aumento do volume do pacote

* Guardar o leite ultrapasteurizado, depois de aberto, na porta (zona menos fria), e consumir dentro de 3 a 4 dias. Os leites pasteurizados ou do dia devem ir para o frio logo após a compra e, depois de abertos, duram até 3 dias

Ovos

Só podem estar 21 dias nas prateleiras dos supermercados embora tenham 28 dias de validade, desde a data da colocação. Garante-se, assim, que ainda possam permanecer uma semana em casa dos consumidores, com validade

* O frio ajuda a prolongar o prazo de validade

Pré-embalados

(queijo, queijo fresco, requeijão, fiambre, carne, salsichas frescas) A carne picada deve ser consumida até 24 horas.

Outras carnes cruas podem ficar no frigorífico até 3 dias. As cozinhadas só resistem 1 a 2 dias.

A temperatura no frigorífico deve rondar os 3ºC, mas nunca deve ser negativa, nem superior a 5ºC

* Na zona mais fria, arrume carne picada ou de aves, fiambre e charcutaria, peixe, cozinhados, conservas abertas e produtos de pastelaria

Despensa

* Arroz, óleo, azeite, conservas, massas, enlatados, bolachas e cereais não se deterioram facilmente

* No caso do vinho, o processo de fermentação e a presença de sulfitos são conservantes

* Açúcar conservante natural

* Farinha como provem de cereais acumulados a granel, pode estar contaminada com substâncias químicas produzidas por fungos e mesmo parasitas. Atenção redobrada à validade

* Se os alimentos estiverem próximos do fim da validade, use-os numa receita e congele. Outro alerta: a congelação não elimina as bactérias, ao contrário da cozedura, mas suspende o seu desenvolvimento

Ler mais: http://visao.sapo.pt/a-verdade-sobre-os-prazos-de-validade-dos-alimentos=f814340#ixzz3WNBwbYgq

 

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Publicado em 17 de março de 2015, em Legislação e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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