Contaminação de lavouras tradicionais por transgênicos prejudica meio ambiente, dizem especialistas

CDH - Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa

O representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, explicou que as sementes transgênicas não são democráticas, ou seja, não podem conviver com outros tipos de sementes sem contaminá-las. Stédile destacou que o uso de transgênicos representa a introdução da propriedade privada nas sementes e deixa os pequenos agricultores sem oportunidade de escolha.

– Hoje, é praticamente impossível os pequenos agricultores terem segurança que vão plantar algo convencional e não vão colher transgênicos – lamentou.

O professor da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Kasgeyam, explicou que a contaminação das lavouras é feita pelo vento e, no caso do milho transgênico, pela norma da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), o produtor deve respeitar uma distância de 100 metros ou de 20 metros vazios mais 10 fileiras de milho das lavouras vizinhas para evitar a contaminação.

Os debatedores ressaltaram que, além de destruir a biodiversidade da natureza, o uso de sementes transgênicas também ocasiona o maior uso de agrotóxicos, já que essas sementes são mais resistentes aos venenos.

– E esses venenos matam a biodiversidade, matam a natureza, contaminam as águas e trazem graves consequências para a saúde humana – protestou Stédile.

O professor Rubens Onofre Nodari, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), acrescentou que o uso da transgenia não colabora para combater a fome no mundo. O professor explicou que os transgênicos são desenhados para facilitar, temporariamente, práticas de manejo dos agricultores e não para melhorar o rendimento da produção.

– À medida que aumentou a área de cultivo dos transgênicos, aumentou a fome do mundo – afirmou.

Estudos

Rubens Onofre destacou que a tecnologia utilizada nos alimentos transgênicos não é precisa. Segundo o pesquisador, os cientistas ainda não têm controle do que acontece com as moléculas e o resultado da modificação esperada nem sempre é a mesma da obtida.

– Eu isolo um gene do feijão, que não é alergênico, coloco na ervilha, que também não é alergênica e, de repente, a ervilha se torna alergênica, ou seja, há uma interação natural de diferentes genes em um mesmo organismo que nem sempre é prevista – explicou.

O professor citou estudos mundiais segundo os quais o consumo de alimentos transgênicos ocasiona alterações comportamentais, reprodutivas e, até mesmo o aparecimento de tumores cancerígenos em animais. No caso dos impactos no ser humano, os debatedores disseram que ainda não há resultados concretos, mas criticaram a falta de incentivo à pesquisa sobre o tema.

– Nós estamos expondo as futuras gerações aos produtos de uma tecnologia que sequer sabemos os seus efeitos, e quem está dentro da CTNBio  não faz pesquisas de risco porque, normalmente, está diretamente envolvido com  a biotecnologia – lamentou .

Além do incentivo às pesquisas, os debatedores destacaram a importância de o governo criar áreas em que os transgênicos não possam ser cultivados e cobraram mais transparência das empresas em relação ao código do consumidor no que se refere a especificar no rótulo do produto se ele é transgênico ou não.

 

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Publicado em 19 de agosto de 2014, em Food Safety, OGM. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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