Para garantir a qualidade na produção leiteira

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Será que conhecemos a qualidade do leite e dos produtos lácteos que consumimos? Recentemente, em março de 2014, dois escândalos assustaram os consumidores brasileiros. Um deles ocorreu no Rio de Janeiro, onde o órgão de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) determinou a suspensão temporária da venda e retirada do mercado de uma marca conhecida de leite, por suspeita de estar imprópria ao consumo. Outro aconteceu no sul do País, onde se descobriu uma quadrilha que adulterava o leite, com adição de formol e soda cáustica, que depois era vendido para os mercados do Rio Grande do Sul e São Paulo.

 

No meio dessa crise, uma notícia boa: um projeto na Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro(Pesagro-Rio) está procurando aumentar o controle sanitário de bovinos fluminenses e melhorar a qualidade do leite e de seus derivados.

Entre as medidas promovidas, estão a disponibilização de vacinas contra brucelose e a inseminação artificial com sêmen de alta qualidade genética e implantação de piquetes de cana forrageira.

Atualmente, dois municípios do estado participam do programa, Carmo e Cantagalo, com previsão da entrada de outras cidades, Miracema e Seropédica.

A iniciativa, que foi contemplada no edital Prioridade Rio, da Faperj, está sob a coordenação de Leda Maria Silva Kimura, médica veterinária e pesquisadora da Pesagro-Rio.

O projeto atua em diferentes etapas.

Uma delas é analisar os animais das propriedades dos municípios participantes, para verificar suas condições de saúde.

“Durante nove meses, fazemos a coleta de amostras de sangue bovino para detectar brucelose e proceder a exames imunológicos para testes de tuberculose.

Isso é feito a intervalos de três meses, para que se avalie a presença dessas zoonoses.

Os testes são realizados por laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura.

Se os três testes estiverem negativos, a propriedade ganha um título de propriedade certificada livre de brucelose e tuberculose”, conta Leda.

Ela explica que a medida é importante porque essas doenças causam prejuízos econômicos, já que as fêmeas produzem pouco leite e abortam com facilidade.

“Sem contar que essas enfermidades podem ser contraídas pelo homem e causar infecções graves.”

Em uma segunda etapa do projeto, o objetivo é promover a identidade de derivados lácteos com selo de qualidade.

“Estamos oferecendo todo o maquinário necessário para que a cooperativa produza queijos a partir do leite dessas propriedades certificadas.

Inicialmente, o selo está sendo atribuído apenas ao queijo minas frescal, mas a ideia é que se expanda para os demais laticínios. Por enquanto, a primeira propriedade do estado a receber a certificação foi o sítio Bom Jardim, no município do Carmo”, relata Leda.

Ela destaca que o selo agrega valor aos produtos dessa propriedade, o que permite que seus queijos sejam mais caros e competitivos em estabelecimentos com maior abrangência de mercado.

Segundo Leda, outras duas propriedades estão em processo final de certificação, em Carmo.

“Mas o projeto não para nessas propriedades. O controle da incidência de brucelose e de tuberculose continuará a ser feito, seja pelo diagnóstico dessas doenças, seja pela vacinação dos animais, em outras cidades produtoras que tiverem interesse.”

Como afirma a pesquisadora, a região Sudeste detém 47% da produção de leite do Brasil, sendo que 90% desse montante têm origem em pequenas propriedades, com menos de 100 hectares.

Ela destaca, contudo, que para se obter um produto final de qualidade satisfatória — que atenda os requisitos sanitários estabelecidos pelo Ministério da Agricultura –, é preciso que toda a cadeia produtiva esteja apropriada e certificada.

“Dessa forma, acreditamos que o projeto se mostra relevante e bastante promissor na região fluminense”, conclui Leda.

FONTE:  Faperj

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Publicado em 28 de maio de 2014, em Food Safety e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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