No Amapá, água contaminada pode estar causando ameba em índios

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Cassiane Kepoulo, de 18 anos, mora na aldeia indígena Kumenê, em Oiapoque, a 590 quilômetros de Macapá. Ela conta que a rotina é semelhante a de outras mulheres da mesma faixa etária na tribo. Uma das atividades realizadas pela jovem é retirar água do poço para beber, cozinhar e tomar banho. No entanto, médicos alertam que o líquido usado na Kumenê pode estar prejudicando o estado de saúde dos indígenas por causa da contaminação do lençol freático.

O alerta deve-se ao resultado das consultas médicas realizadas na aldeia entre os dias 14 e 16 de abril. Ao todo, 290 índios foram avaliados em uma ação conjunta de saúde na tribo. A maioria dos indígenas, segundo os médicos, apresentavam durante as consultas os sintomas de ameba, doença transmitida por água contaminada. Não há um número exato de quantos podem estar doentes, o balanço da ação aponta que cerca de 40% dos índios foram diagnosticados com os sintomas da ameba.

Entre os sinais da doença encontrados nos índios está a diarreia e as dores de barriga, segundo o médico Noel Dusac, que atendeu quase 90 índios em três dias. “Essas são as principais características da ameba. Nas consultas, nós encontramos pacientes com diarreia e dores fortes de barriga, o que pode indicar a doença. Uma das principais causas é o mau tratamento da água do poço”, comentou.

“A ameba é transmitida pela água contaminada por fezes e alimentos que podem ter sido lavados por esse líquido. Além da falta de higiene em casa e na manipulação de alimentos”, acrescentou Mirian Luz, médica que participou da ação de saúde.

Os sintomas pontuados pelos médicos foram os mesmos que apareceram em Cassiane Kepoulo. “Sentia muitas dores ne barriga, principalmente quando bebia água. Mas acabamos nos acostumando com isso porque sempre foi do poço que tiramos a água para beber e tomar banho”, contou.

Os poços na aldeia Kumenê são todos amazonas, cavados de forma manual com auxílio de ferramentas. Eles são próximos aos sanitários usados pelos índios, o que pode ser um fator para causar contaminação da água, que também atinge o rio que banha a aldeia, o Urukauá.

“Demoramos uns sete dias para abrir um poço desse com ajuda de mais duas pessoas. Quando a gente pega água não colocamos cloro porque estamos acostumados e não precisa usar nada. Acreditamos que ela seja limpa mesmo próximo ao banheiro”, comentou o jovem indígena Narciso Maximiliano, de 18 anos.

A recomendação dos médicos é que os poços fiquem distantes dos sanitários para que a água retirada para consumo da aldeia não seja contaminada por fezes.

“O ideal é que eles fiquem pelo menos 50 metros de distância um do outro para que o lençol freático usado no poço e no rio não fique contaminado pela fossa, assim nem precisa usar cloro. Mas como na aldeia eles são quase juntos, os sintomas que atingem os índios acabam sendo comuns para eles”, contou o médico Noel Dusac.

fonte: G1

em: http://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2014/05/no-amapa-agua-contaminada-pode-estar-causando-ameba-em-indios.html

 

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Publicado em 24 de maio de 2014, em Food Safety e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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