Avaliação de risco deficitária afeta exportação de alimentos

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As dificuldades de compreensão e implementação de avaliação de risco é mais um fator que compromete a competitividade indústria de alimentos de países em desenvolvimento, como os da América Latina.

A opinião é da professora Bernadette Franco, da Universidade de São Paulo (USP) e foi apresentada no 3º Workshop Internacional em Segurança de Alimentos, promovido pelo SENAI/SC, entidade da Federação das Indústrias (FIESC), em parceria com o Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e com a Universidade de Pádua-Itália.

O evento foi realizado de 9 a 11 de abril na sede da FIESC.

Em sua palestra, Bernadette Franco explicou que avaliação de risco compreende o amplo domínio e coordenação do sistema de controle de qualidade de alimentos, incluindo procedimentos e legislação nacional e internacional.

Para demonstrar a deficiência existente no Brasil e na América Latina, ela citou o exemplo de um lote de carne de frango brasileira que foi rejeitado na Rússia há alguns anos, sob a alegação da existência de resíduo de um antibiótico, que estaria acima dos níveis permitidos naquele País.

“Aquela carne não tinha problema nenhum.

Havia apenas uma forma diferente de detectar a existência da substância no alimento, mas o Brasil teve muita dificuldade para contra-argumentar, pois as informações não são organizadas e coordenadas”.

Segundo a pesquisadora, a indústria exportadora teve que arcar com todo o custo de retorno do produto ao Brasil e de imagem.

O episódio teria sido evitado se o Brasil tivesse comprovado que tinha sim os dados solicitados pelos russos.

“Mas não havia o conhecimento, um perfeito domínio do risco associado à presença do antibiótico na carne”, explicou.

“O Brasil está perdendo uma boa oportunidade de acompanhar os avanços do comércio internacional de alimentos, porque tem dificuldades de implementar a avaliação de risco”, afirma Bernardette.

Para superar essa deficiência, a pesquisadora defende uma ampla articulação entre indústrias, órgãos de defesa do consumidor e instituições oficiais responsáveis pela segurança de alimentos.

A pesquisadora observa que até 1980, o controle de qualidade de alimentos era feito por meio de análises laboratoriais do produto final, com base em critérios pré-definidos.

Depois surgiram iniciativas como as boas prática de fabricação e o monitoramento de pontos críticos de controle, aplicados não mais apenas ao produto final, mas em toda a cadeia produtiva do alimento, com o objetivo de controlar e verificar o alimento desde antes do plantio (vegetais) ou do nascimento (animais) até o consumo.

Desde 1995, entrou em evidência a avaliação de risco, que, na opinião de Bernardette, é estratégica do ponto de vista de comércio internacional e é feita não individualmente pelas empresas, mas pelo país como um todo.

Os palestrantes são das instituições organizadoras, além do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL, de Campinas-SP), Unicamp, Universidade Federal de Viçosa-MG, Universidade Federal do Paraná, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Instituto Mauá e Universidade de Córdoba-Espanha.

Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos

A preocupação para que a indústria supere os obstáculos de infraestrutura e o custo Brasil e para que as pessoas consumam alimentos de qualidade e seguros são, na opinião do diretor regional do SENAI/SC, Sérgio Roberto Arruda, os motivos que levam a instituição a promover eventos como esse e a lançar o Instituto de Tecnologia de Alimentos, que está em fase de instalação na cidade de Chapecó. Arruda participou da abertura do evento, ao lado de representantes da UFSC e da Universidade de Pádua.

fonte: Fiesc

em:http://www2.fiescnet.com.br/web/pt/informativo/show/id/286/idc/3534/temp/0

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Publicado em 8 de maio de 2014, em Food Safety, Legislação. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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