Na busca por qualidade, consumidor tem papel importante

claudio-duarte

RIO – Encontrou pedras num saco de feijão?

A bebida está com um gosto estranho?

O molho de tomate está dentro da validade, mas parece estragado?

Problemas como esses já aconteceram com muitos consumidores.

Os fabricantes desses produtos e as autoridades responsáveis por regular o setor de alimentos, no entanto, muitas vezes desconhecem tais problemas.

Se por um lado a indústria tem a obrigação de responder ao cliente e ressarci-lo se de fato houver um defeito, por outro cabe ao consumidor denunciá-lo.

A página da DEFESA DO CONSUMIDOR, no site do GLOBO, inicia hoje a série de reportagens “Insegurança à mesa” sobre segurança e controle de qualidade na cadeia de produção de alimentos, que se estenderá por toda esta semana, explicando quais são os direitos do consumidor, como fazê-los valer, diferença entre fraudes e falhas do processo de produção que trazem riscos à saúde do cidadão e mostrando a situação do país em relação ao mundo.

Segundo a doutora em alimentos e nutrição e professora da Unisantos Elizabete Lourenço da Costa, há um sistema inadequado de notificação, tanto do consumidor para a empresa quanto da empresa para os órgãos que a regulam.

— Na maioria dos casos, a empresa dá até um bom atendimento ao cliente para não perdê-lo e o caso termina ali.

A empresa se limita a trocar ou reembolsar o consumidor.

E ele não notifica nenhuma autoridade sobre um problema, até porque o custo do alimento é pequeno e ele acaba ficando com o prejuízo.

Elizabete lembra que a responsabilidade pelos problemas identificados em alimentos pode ser também de quem o vende.

— As falhas estão também nos varejistas, que, por exemplo, desligam o refrigerador para economizar energia à noite.

O balcão onde os frios são expostos são abertos e não conseguem manter a temperatura.

Para driblar isso, sugiro que o consumidor pegue o produto que está no fundo da prateleira, onde a temperatura é mantida por mais tempo — orienta a especialista.

A titular da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon), Juliana Pereira, destaca a importância do papel do consumidor para que toda a cadeia produtiva do setor de alimentos se comprometa a dar o seu melhor para garantir produtos de qualidade na mesa do brasileiro.

A denúncia de apenas um consumidor pode levar à convocação de um recall.

— É preciso também que haja uma conscientização do cidadão sobre a importância do controle na ponta.

Ele tem que informar à vigilância sanitária e ao Procon em caso de um problema.

Foi a denúncia de uma única consumidora que levou a um recall do Fiat Stilo, cuja roda soltava. E quando a gente fala de saúde não é uma questão de valor, pois não há dinheiro que pague.

Registrar ocorrências é fundamental

Diretor do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Carlos Thadeu de Oliveira afirma que falta uma consciência do consumidor sobre a importância de denunciar problemas em produtos alimentícios.

— Geralmente, o consumo é rápido.

Se a pessoa consegue trocá-lo ou recebe um ressarcimento ou um agrado do fabricante, ela se contenta, dá o caso como resolvido.

Mas falta às empresas e autoridades um registro para que se gere um índice de ocorrências.

Essas estatísticas podem melhorar o mercado.

É preciso ter uma visão mais cidadã, não individualista.

Ricardo Cavalcante, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov) do Ministério da Agricultura (Mapa), também destaca o papel do consumidor.

Se ele encontra uma pedra no feijão, por exemplo, deve denunciar.

— A pedra no feijão é um elemento avaliado na classificação do produto.

E isso altera seu preço.

Por isso, se ele achar uma pedra, deve denunciar.

As empresas que certificam esses alimentos são credenciadas pelo Ministério da Agricultura.

E nós podemos puni-las, por exemplo.

Problemas devem ser informados ao SAC, ao Procon, ao ministério e aos juizados especiais.

Andrea Regina de Oliveira Silva, especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Anvisa, diz que a agência recebeu 380 mil pedidos de informação ou reclamação de cidadãos em 2012.

— Recebemos queixas de consumidores de Norte a Sul do país, até mesmo com problemas no supermercado da esquina.

O assessor técnico do Procon-SP Renan Ferracioli considera que cada vez mais o consumidor tem voz, o que gera mais pressão sobre as empresas.

— O que antes ficava entre o consumidor e a empresa, hoje ganha repercussão, até por causa das redes sociais, e pressiona as empresas a agir e fazer o que deve ser feito.
fonte: O Globo
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/na-busca-por-qualidade-consumidor-tem-papel-importante-8574296#ixzz2y6kYauzU

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Publicado em 27 de abril de 2014, em Food Safety e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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