Programa para fiscalizar uso de agrotóxicos anda com lentidão

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Criado para avaliar a presença de resíduos de agrotóxicos em alimentos, o Programa de Monitoramento de Qualidade de Produtos Hortigranjeiros no Rio Grande do Sul, reativado em 2013 após cinco anos parado, anda com lentidão. Desde maio foram coletadas 130 amostras de frutas, legumes e verduras na Ceasa, mas apenas 15 laudos foram concluídos pelo Laboratório Central do Estado (Lacen).

Os resultados já chamam a atenção. Em um terço das amostras — três de tomate e duas de batata — foram encontradas irregularidades. Em todos os casos, uso de produtos não autorizados. O monitoramento tenta flagrar ainda a utilização de produtos proibidos no Brasil ou acima dos limites permitidos. De posse dos resultados, o Ministério Público Estadual (MPE) chama os produtores e exige que passem a respeitar as normas de aplicação de defensivos, sob pena de perder o direito da venda dos hortigranjeiros na Ceasa por até um ano.

Para a coordenadora do programa, a bióloga Suzana Nietiedt, a demora nos resultados é fruto da falta de estrutura e de equipe no Lacen. Para piorar, dos 380 agrotóxicos registrados no país, o laboratório consegue detectar apenas 130 princípios ativos. As irregularidades, por sua vez, seriam consequência da falta de orientação dos produtores.

— A nossa assistência técnica está sucateada, e a Secretaria da Agricultura não dá conta da fiscalização. Os produtores ficam à mercê das empresas que vendem os produtos — avalia Suzana.

Em outra frente, a Promotoria Especializada de Defesa do Consumidor da Capital já conseguiu cinco liminares que obrigam os maiores supermercados do Estado a cumprir uma norma técnica estadual de 2005 determinando que as redes façam o rastreamento dos hortigranjeiros. Outros quatro casos aguardam resposta da Justiça. O objetivo é conseguir chegar aos produtores que fizeram aplicações irregulares de agrotóxicos quando amostras analisados apresentam resultados fora do padrão legal.

Análises não incluem todos os produtos

Como a principal irregularidade encontrada no monitoramento é o uso de produtos não autorizados para as culturas onde foram encontrados, produtores reivindicam a aplicação de uma normativa do Ministério da Agricultura, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ibama que abre a possibilidade dos agrotóxicos serem registrados para um grupo de vegetais, e não por cultura. Como os hortigranjeiros têm pouco peso na venda de defensivos, há pouco interesse das empresas em investir nos registros.

A Anvisa também analisa agrotóxicos em alimentos nos pontos de venda, como supermercados. Mas nem todos são vistoriados a cada ano. O pimentão, por exemplo, que na análise anterior aparecia como campeão (83%), não figura no último relatório, de 2012

Vilões no prato dos gaúchos

O Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos (Para), da Anvisa, mostra que, no ano passado, os produtos com o maior número de amostras irregulares no Estado foram pepino, morango e cenoura. Os resultados insatisfatórios incluem a presença de defensivos não autorizados para alimentos em que foram encontrados (a maior parte dos casos) ou resíduos acima dos limites máximos.

fonte: Zero Hora

em: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/economia/noticia/2013/11/programa-para-fiscalizar-uso-de-agrotoxicos-anda-com-lentidao-4342172.html

 

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Publicado em 25 de março de 2014, em Agrotóxicos, Food Safety e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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