Vinhos contaminados por metais perigosos

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Recentemente pesquisadores relataram que mais de 100 tipos de vinhos tinto e branco de uma dezena de países contém níveis potencialmente perigosos de metais pesados.

Pesquisadores ingleses advertem que alguns vinhos ─ marcas e tipos de uvas não foram especificados ─ contêm quantidades dos metais industriais vanádio, cobre e manganês que excedem os padrões de saúde da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), de acordo com a análise publicada no Chemistry Central Journal.

Felizmente em vinhos de três países ─ Argentina, Brasil e Itália ─ não foram detectados metais em níveis que possam oferecer risco à saúde.

“Foi uma grande surpresa detectar esses níveis em muitos vinhos que examinamos,” observa o autor do estudo Declan Naughton, professor de ciência biomolecular da Universidade Kingston, em Londres.

Um quociente alvo/prejuízo (THQ, na sigla em inglês) maior que um pode causar algum efeito sobre a saúde ao longo da vida, de acordo com uma fórmula criada pela EPA para estimar o risco.

A equação compara o tempo a que a pessoa é exposta à toxina e a dose de referência estabelecida.
Algumas taças de vinho continham níveis THQ altos ─ chegando a 300 ─ segundo uma avaliação de estudos anteriores sobre concentrações metálicas em vinhos.
“Beber uma taça de 250 ml de um desses vinhos seria um perigo potencial ao longo da vida,” alerta Naughton.
A fórmula desenvolvida pela EPA para avaliar o nível de contaminantes tem sido utilizada para calcular o risco de exposição a substâncias químicas presentes em frutos do mar.

A análise não revela o teor metálico que seria absorvido no consumo dos vinhos.

Segundo a agência federal americana que controla substâncias tóxicas, o vanádio, se for inalado, pode causar irritação nos pulmões e problemas respiratórios, mas os efeitos de ingestão não são conhecidos.
Ele é geralmente usado para produzir ligas metálicas para motores.

Segundo a agência, consumir muito manganês pode provocar manganismo, caracterizado por movimentos lentos e desajeitados. A pesquisa revela que esse metal também contribui para o desenvolvimento da doença de Parkinson.

O manganês é normalmente usado na produção de aço e baterias.

O cobre ─ usado na produção de fios e outros equipamentos eletrônicos ─ agrava a ação de oxidantes, uma característica comum de inflamações associadas à artrite reumatóide, doenças cardíacas e câncer.

Não se sabe exatamente como esses metais contaminam os vinhos, avalia Naughton.

Algumas fontes possíveis de contaminação seriam o solo onde as videiras crescem, a levedura usada na fermentação das uvas ou os fungicidas e pesticidas empregados.
Os vinhos analisados no estudo são procedentes da Áustria, República Tcheca, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Jordânia, Macedônia, Portugal, Sérvia, Eslováquia e Espanha.

A divisão americana de comercialização e tributação de álcool e tabaco (TTB, na sigla em inglês) utiliza um espectrômetro de massa para medir a quantidade de metais em vinhos ─ e não a fórmula THQ –, quando recebe denúncias de possíveis problemas, informa Art Resnick, porta-voz da TTB.

Quando níveis elevados são detectados, a agência encaminha à Drug and Food Administration (FDA, na sigla em inglês) para determinar a gravidade dos níveis.

“Não fazemos isso rotineiramente, mas quando fizemos não tivemos nenhuma restrição da FDA. Não há limites legais sobre qualquer um desses elementos” comenta Resnick.

Naughton acrescenta que a presença de metais pesados em vinhos deveria ser indicada nos rótulos para alertar os consumidores, assim como constam informações sobre sulfitos ─ conservantes normalmente utilizados em alimentos e bebidas alcoólicas, que podem provocar sérias reações alérgicas.

fonte: Scientific American
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Publicado em 8 de janeiro de 2014, em Contaminantes, Food Safety e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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