A absolvição da gordura

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Doentes cardíacos podem comer carne e manteiga sem neuroses – o inimigo público número um das dietas e da saúde sai redimido da maior parte das acusações que lhe são feitas

Diminuir ao máximo a quantidade de gordura consumida diariamente parece ter se tornado uma obsessão por quem faz dietas e por aqueles que têm problemas cardiovasculares. Mas pesquisas recentes indicam que nem todas as gorduras são vilãs e até a famigerada gordura saturada pode voltar ao prato dos doentes cardíacos, desde que com moderação.

Pesquisa publicada no mês passado na revista médica British Medical Journal mostra que as gorduras saturadas encontradas na manteiga, no queijo e na carne vermelha não são tão prejudiciais para o coração quanto se pensava. Pior do que a gordura encontrada nesses alimentos são os produtos industrializados carregados em açúcares e adoçantes – muitas vezes utilizados em excesso justamente para suprir a falta de gordura.

O estudo foi coordenado pelo cardiologista Aseem Malhotra, um dos mais prestigiados do Reino Unido. O consumo exagerado de açúcar e carboidratos está relacionado a doenças cardiovasculares devido ao risco de  desenvolvimento de diabete.

“O simples fato de a pessoa ser diabética já aumenta o risco de ela desenvolver alguma doença cardiovascular”, diz o cardiologista Paulo Marquetti, do Hospital de Clínicas de Curitiba. Marquetti explica que o diabético do tipo 2 produz insulina em excesso, o que aumenta a liberação de outras substâncias que agridem as paredes dos vasos sanguíneos. Esse quadro facilita o aparecimento de placas de arteriosclerose, que podem ocasionar quadros de trombose e enfarte.

Mediterrâneo

Embora busque derrubar o mito de que a gordura saturada seja a grande vilã do coração, Malhotra apresenta em seu artigo uma recomendação já conhecida para se manter a saúde cardiovascular: a adoção da dieta mediterrânea. A base dessa dieta é formada por peixes oleosos,  azeite de oliva, frutas e verduras. Mas os laticínios, que contêm gorduras saturadas, também estão presentes.

A nutricionista Cyntia Linig, da PUCPR, diz que o ideal é manter um equilíbrio. De acordo com ela, 30% do consumo calórico diário deve ser destinado à gordura, uma vez que essa substância possui um papel importante no metabolismo do organismo. Esse porcentual, porém, precisa ser dividido entre gorduras saturadas, poliinsaturadas e monoinsaturadas de forma equacionada.

“O que deve ficar de fora é a gordura trans, que aumenta o colesterol ruim e diminui o bom”, comenta.  Essa recomendação também é mantida por Malhotra em seu estudo. Artificial, a gordura trans é gerada a partir de um processo de hidrogenação e é encontrada em margarinas, sorvetes, biscoitos recheados e produtos de confeitaria. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera tolerável o consumo diário de até 2 gramas dessa gordura – quando considerada uma dieta de 2 mil calorias – e de 0,2 gramas por porção.

“Alguns fabricantes têm colocado nas embalagens que o produto não contém gordura trans na porção. Porém, isso indica que ele possui essa gordura, mas abaixo do nível de 0,2 gramas por porção. Uma dica que dou para saber se tem gordura trans ou não é verificar os ingredientes. Se tiver escrito gordura hidrogenada, é porque tem”, afirma a nutricionista.

fonte: Jornal de Londrina

em: http://www.jornaldelondrina.com.br/saude/conteudo.phtml?id=1431848

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Publicado em 27 de dezembro de 2013, em Nutrição e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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