Compostos cancerígenos na dieta do brasileiro

hpa em alimentos

O brasileiro ingere em sua dieta básica uma série de substâncias capazes de provocar câncer.

É o que comprovou a pesquisadora Mônica Rojo de Camargo, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, em sua tese de doutorado.

Os compostos em questão são os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) e estão presentes sobretudo em óleos, gorduras, carnes e açúcares.

No estudo, Mônica analisou em laboratório alguns dos principais itens da dieta do brasileiro, selecionados a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os resultados revelam que cada indivíduo consome em média 6,15 μg de HPAs por dia.

“Na dieta de outros países o grupo dos óleos e gorduras representa também a principal fonte de exposição aos HPAs”, compara Mônica.

“No caso dos ingleses, por exemplo, a ingestão foi de 3,7 μg/pessoa/dia.”

Não há níveis seguros para ingestão de HPAs.

A ingestão desses compostos junto com os alimentos é inevitável: eles são provenientes sobretudo de processos como defumação, secagem, torrefação e alguns tipos de cozimento.

Podem ser também decorrentes da poluição ambiental ou da própria embalagem.

Os HPAs podem contaminar vegetais, frutas, carnes, óleos e gorduras, bebidas, alimentos grelhados, torrados e de origem marinha.

Os HPAs são compostos potencialmente carcinogênicos, ou seja, podem favorecer o surgimento do câncer.

No entanto, eles não desencadeiam a doença diretamente.

Quando metabolizados, alguns deles se transformam em compostos tóxicos que se ligam à molécula de DNA e provocam mutações capazes de gerar o câncer.

Os mecanismos desse processo, no entanto, ainda não são totalmente conhecidos.

Mais de cem HPAs são conhecidos.

Muitos têm potencial cancerígeno, mas apenas seis o são comprovadamente (eles respondem por 1,9 μg dos 6,15 μg de HPAs consumidos diariamente pelos brasileiros).

Atualmente, poucos países têm leis para limitar a presença de HPAs nos alimentos.

Alemanha, Áustria e Polônia, por exemplo, restringem a concentração em carnes defumadas de um dos compostos dessa classe com maior potencial para desencadear o câncer — o benzo(A)pireno.

No Brasil, os níveis desse composto específico também são limitados por lei tanto na água potável quanto em alimentos defumados.

O comitê internacional que avalia os alimentos com base na contaminação que sofrem por aditivos químicos, poluição e resíduos de drogas veterinárias (Jecfa) recomenda que indústrias e consumidores adotem estratégias para minimizar a exposição humana aos HPAs.

Esse comitê deve se reunir em fevereiro de 2005 e estabelecer novas regras para o controle da presença de HPAs nos alimentos.

Enquanto isso, o consumidor pode adotar algumas medidas para diminuir a exposição a esses compostos.

“Colocar a grelha da carne o mais longe possível da fonte do calor, cozinhar os alimentos a temperaturas menores, lavar bem frutas e legumes, não ferver o café junto com a água, apenas coá-lo com a água quente.

Tudo isso pode ajudar a diminuir a ingestão de HPAs”, aconselha Mônica Rojo.

fonte: Ciência Hoje

em: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/medicina-e-saude/compostos-cancerigenos-na-dieta-do-brasileiro/?searchterm=alimentos

 

 

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Publicado em 31 de dezembro de 2007, em Food Safety e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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